«A Lusosem é muito conhecedora do mercado das sementes de cereais»

A Cersul é pioneira na produção de cereais de qualidade para alimentação humana e um exemplo de sucesso do associativismo no setor agrícola. Luís Bulhão Martins, presidente do Conselho de Administração, conta-nos o que une 170 agricultores em torno do Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul.

 

Entrevista a Luís Bulhão Martins (Cersul)

 

A Cersul comemorou este ano o 25º aniversário. Que momentos recorda como mais marcantes na vida do Agrupamento?


A constituição, a inauguração da primeira unidade de armazenagem, a construção desta sede social, a criação dum serviço de assistência técnica, o laboratório de qualidade, a concessão dos silos da EPAC e a comemoração dos nossos 25 anos em Janeiro passado. Todos os anos ocorre algo de especial. A Cersul tem sabido inovar, introduzindo novas tecnologias para melhorar a produção, diferenciar e comercializar os produtos dos seus associados, o que tem possibilitado melhorar a rentabilidade das explorações agrícolas. Fruto deste trabalho criaram-se elos de coesão muito fortes entre os associados e com a Cersul.

 

A Cersul produz cereais com elevado valor acrescentado, usados na confeção de baby food, de farinhas de qualidade e de malte. É um negócio com margem para crescimento? 


Existe margem para crescimento, porque as necessidades da indústria nacional estão longe de ser satisfeitas pela produção nacional. O nível de importação de cereais é muito elevado, mas acreditamos que estão criadas as condições para aumentar o volume comercializado de produção nacional para a indústria portuguesa.

 

A Cersul é membro do Clube Português dos Cereais de Qualidade e foi a anfitriã da sua 34ª assembleia geral, onde esteve presente o Ministro da Agricultura, no passado dia 3 de Junho. Qual a missão deste Clube?


O Clube Português dos Cereais de Qualidade é o primórdio de uma associação interprofissional. Existe há 17 anos com o objetivo de juntar toda a cadeia de valor dos cereais de elevado valor acrescentado, nomeadamente, trigo mole panificável, trigos de força, trigos para baby food, trigo duro, cevada dística, gritz a partir de milho, com vista à obtenção de matérias-primas, para alimentação humana que correspondam às exigências de qualidade do mercado e do consumidor. Estes encontros têm permitido uma aproximação cada vez maior entre produtores, indústria e investigação e contribuem para criar relações estreitas entre todas as partes envolvidas. Só com o envolvimento de todos se conseguirá melhorar a incorporação nacional nestes negócios. De salientar o trabalho de promoção e constante apoio que a ANPOC tem dado a esta iniciativa.

 

Que importância tem para a CERSUL a multiplicação de variedades de cereais (trigo, cevada, triticale)? Como avalia o trabalho realizado em parceria com a Lusosem nesta área?


É um trabalho que tem tido excelentes resultados. A Lusosem é uma empresa muito conhecedora do mercado das sementes de cereais, está perfeitamente atualizada em termos das necessidades para cumprir este tipo de programas de qualidade, onde a constante procura e melhoria do leque de variedades disponíveis, na qual a Lusosem tem estado sempre envolvida, é condição de sucesso. Tem sido uma parceria extremamente interessante, pelos negócios, qualidade técnica e visão estratégica do Engº. António Sevinate Pinto. A Lusosem é das empresas com a qual temos relações comerciais de maior afinidade.

 

Que balanço faz da atual campanha de cereais de Outono-Inverno?


À partida vai ser uma campanha boa em termos de produção, teremos produtividades muito acima da média. Quanto à qualidade, aguardamos a colheita para aferir os resultados. É um ano extraordinário de cereais no Alentejo!

 

E relativamente ao milho, após um início de campanha conturbado devido à chuva, quais as suas expectativas para a atual campanha?


Os agricultores estão pouco entusiasmados devido aos baixos preços do milho no mercado internacional. Os associados da Cersul reduziram as suas áreas de sementeira em cerca de 30% a 35%, devido à expectativa de baixos preços e porque havia falta de água nos regadios privados, que servem a maioria dos nossos agricultores.  As chuvas persistentes do mês de Maio atrasaram muito a campanha, as sementeiras ainda não estão finalizadas ao dia de hoje (3 de Junho). A produção a comercializar vai baixar!

 

A Cersul criou a Associação de Agricultores para a Agricultura de Precisão. Que tecnologias inovadoras está a implementar em campo? 


Esta associação foi criada fora da estrutura da Cersul, por força da legislação desajustada, que inviabilizou a entrada dos agrupamentos e organizações de produtores neste tipo de serviços. Numa primeira fase temo-nos dedicado ao aconselhamento técnico dos agricultores na área da gestão da rega, inspeção e verificação de equipamentos de rega, tanto dos sócios da Cersul como de outros agricultores a quem também prestamos serviços. Entretanto, procuramos viabilizar outro tipo de exigências, a que a condicionalidade da PAC nos obriga, como a inspeção e certificação de pulverizadores. Começamos este ano a dar apoio a tecnologias de agricultura de precisão, que vão desde a monitorização semanal das culturas e cartografia NDVI para avaliar o estado vegetativo, às necessidades de rega e a qualidade da nutrição das plantas. 

 

Disse na cerimónia dos 25 anos Cersul que a diversificação é inevitável. Quais os investimentos em curso pelos vossos associados em novas culturas?


Estão a realizar-se investimentos importantes na produção de frutos de casca rija.  Até final de 2017, os sócios acionistas da Cersul estimam plantar 200 a 300 hectares de amendoal. 

Também tem havido grande investimento na plantação de olivais. A aposta na transformação/industrialização destes produtos está nos nossos horizontes, assim como uma aposta forte no domínio das culturas oleaginosas e horto-industriais.

 

BI CERSUL:

  • Cersul - Agrupamento de Produtores de Cereais do Sul S.A.
  • Santa Eulália, Elvas
  • 170 agricultores associados
  • 60.000 hectares

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