«É urgente investir no melhoramento de sementes em Portugal»

António Sevinate Pinto encara o futuro da Lusosem e do país de forma prudente, mas otimista. Década e meia após o lançamento da primeira semente, lidera a empresa acreditando no valor da inovação e alimenta o sonho de ajudar Portugal a tornar-se mais autossuficiente na obtenção e produção de sementes.

 

Entrevista a António Sevinate Pinto, Administrador Lusosem

 

A Lusosem nasceu no ano 2000 e desde então tem crescido de forma sustentada. Como vê o futuro da empresa na próxima década?


Tem sido surpreendente a evolução da Lusosem nestes 15 anos de vida, não tenho dúvidas que prosseguiremos na via da inovação. Hoje em dia a nossa faturação divide-se em 65% nos agroquímicos, 30% nas sementes e 5% na nutrição. Vejo alguma limitação ao crescimento do mercado dos agroquímicos, devido às enormes exigências da legislação europeia. Precisamos de produtos novos para levar a inovação ao agricultor, nomeadamente porque estão a surgir em Portugal novas culturas que precisam de soluções. No entanto, começa a ser notório o desinvestimento da indústria na Europa e a transferência de inovação para outros continentes.

A evolução da Lusosem dependerá da conjuntura europeia. Continuaremos a acompanhar a evolução e a liderar na inovação, apostando na formação dos agricultores em áreas como a qualidade da pulverização ou a agricultura de precisão. A proximidade ao agricultor e a permanência no terreno são as bases fundamentais da nossa estratégia.

 

E quanto à atividade das sementes, como perspetiva o futuro da Lusosem?


Temos um enorme potencial de crescimento e estamos a apostar imenso nesta área. A nossa estratégia surge numa lógica de rotação de culturas, disponibilizando diferentes espécies, numa lógica de serviço ao agricultor. Aproveitamos as sinergias existentes na transferência de conhecimento. O agricultor português está a exigir cada vez mais de nós. Estamos envolvidos em alguns projetos que terão um retorno apenas a médio e longo prazo, mas que garantirão a continuação da nossa evolução no mercado. Em conclusão, vejo a evolução da Lusosem de forma prudente, mas otimista. 

 

A rede de ensaios de variedades implementada pela Lusosem em campos de agricultores de referência e em parceria com instituições públicas é uma base sólida que permite oferecer sementes com elevada mais-valia aos agricultores, à indústria e ao consumidor. Qual a relevância desta atividade no negócio da empresa?


O conhecimento local do comportamento das variedades é fundamental porque o nosso mercado trabalha sobretudo com sementes importadas. Falar e mostrar ao agricultor as vantagens das nossas sementes é a base da estratégia da Lusosem. Os campos demonstrativos em casa do agricultor permitem uma comunicação de duas vias, ensinamos e aprendemos todos os dias.

 

Ao nível dos recursos genéticos Portugal apresenta uma enorme diversidade varietal, como vê a criação de valor em variedades tradicionais, que podem ser melhoradas e incluídas no circuito comercial profissional?


Para termos sementes bem adaptadas ao nosso mercado, correspondendo às nossas exigências, é necessária uma união de esforços entre iniciativa privada e entidades públicas. Nesta matéria não há ainda regras bem definidas mas é urgente uma maior articulação.

Há todo um trabalho a fazer e como técnico, empresário e presidente da Anseme, julgo que deve existir uma orientação política e prática no caminho que Portugal quer tomar. A criação de sementes nacionais tem vantagens económicas e liberta-nos da dependência de terceiros.

Creio que no PDR2020 há oportunidades para estimular esta dinâmica.

 

A quem cabe o papel de definição de linhas estratégicas?


As urgências e as prioridades deverão ser definidas em conjunto com a iniciativa privada, cabendo ao Estado canalizar os apoios para as prioridades definidas com as organizações representativas de cada fileira. É urgente uma intensificação do Melhoramento de Sementes em Portugal, com projetos que devem garantir a sua sustentabilidade a médio e longo prazo.

Temos uma extraordinária riqueza de recursos genéticos. É necessário investir e fechar o ciclo, através da promoção desses recursos melhorados, no mercado global, reinvestindo as mais-valias na sustentação do Melhoramento e Obtenção de variedades nacionais de elevado potencial produtivo e superior qualidade, geradoras de riqueza. 

 

Enquanto presidente da Anseme, como vê a importância do setor das sementes nos desafios alimentares atuais e futuros?


É fundamental para a garantia quer de quantidade quer da qualidade dos alimentos. A Europa é a maior “loja” mundial de compra e venda de sementes, mas está a criar entraves legais à inovação. O mesmo não se passa em outros continentes.

 

Qual a sua posição sobre o uso dos OGM na agricultura? 


A transgenese existe há bastante tempo, é o Presente e o Futuro. Trata-se de um passo muito significativo da Ciência, embora não seja a panaceia para todos os problemas. Apesar das dúvidas que existem em muitos espíritos sobre os OGM, o progresso da Ciência não vai parar. Considero que a pessoalização das críticas aos OGM em 2 ou 3 multinacionais tem sido um erro estratégico básico e essas próprias empresas não têm sabido lidar com o problema da melhor forma. Por outro lado, trata-se de uma questão que está muito politizada.

 

Tem dúvidas acerca da segurança alimentar e ambiental dos OGM?


Como agricultor e agrónomo não tenho as capacidades e o conhecimento para afirmar perentoriamente que são ou não seguros, mas é certo que acredito na Ciência. Há uma diferença entre o Perigo e o Risco, perigos corremos todos os dias e em todas as áreas de atividades, mas o Risco tem que ser calculado e reduzido. Acredito que cientificamente está garantida a segurança para a utilização dos OGM. É uma tecnologia necessária. Muitas substâncias ativas de produtos fitofarmacêuticos estão a ser retiradas do mercado na UE, sem necessárias alternativas práticas e eficazes. As sementes OGM são uma ferramenta fácil de utilizar e que resolve alguns problemas fitossanitários, garantindo a rentabilidade dos agricultores.

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