Pulverização em área total

O que influencia a eficácia da pulverização? Como escolher os bicos e calcular o débito adequado na pulverização de “grandes culturas”? Como atuam os adjuvantes para evitar perdas?

 

Aplicação de produtos fitofarmacêuticos

 

A aplicação de produtos fitofarmacêuticos é uma das áreas mais exigentes no maneio de um cultivo e, simultaneamente, um dos campos que tem muito por onde melhorar do ponto de vista técnico.

A “aplicação” consiste em depositar uma determinada quantidade de matéria ativa sobre um determinado alvo e, na maioria dos casos, utiliza-se a água como veículo. Esta técnica de aplicação é vulgarmente chamada de pulverização.

De acordo com o tipo de cultura a “tratar”, a aplicação poderá ser feita sobre a área total, culturas em faixas, pomares ou culturas em sebe.

Nesta edição apenas iremos focar as aplicações em área total, ou seja, aquelas situações em que o alvo se encontra repartido por toda a superfície que pretendemos tratar, que são em regra as “grandes culturas” (cereais, oleaginosas, proteaginosas, hortícolas).

São várias as famílias de fitofarmacêuticos envolvidas neste tipo de aplicação, das quais se destacam os herbicidas, os inseticidas, os fungicidas, reguladores de crescimento, etc. O uso de adjuvantes, é cada vez mais utilizado nestas aplicações, onde desempenham um papel de “aceleradores de performances”, assegurando o êxito das mesmas.

 

Apenas uma parte da matéria ativa é efetivamente utilizada com eficácia, uma vez que vários processos condicionam o sucesso de uma aplicação, originando perdas do produto no alvo: débito utilizado, condições meteorológicas, estado da cultura e equipamento utilizado (ver Quadro 1).

 

Quadro 1: Tipo de perdas no processo de pulverização

 

 

Por outro lado, a qualidade da água utilizada como suporte à pulverização condiciona igualmente em grande medida o sucesso da mesma. Água com pH alcalino provoca uma rápida degradação das moléculas das matérias ativas por hidrólise alcalina e alguns produtos poderão mesmo ter um período de vida de apenas algumas dezenas de minutos.

Há algumas décadas, quando se falava em pulverizar recomendava-se “molhar bem o alvo”.

Hoje em dia, o volume de calda adequado está associado ao número de impactos que atingem o alvo e não ao volume de calda aplicado (ver Quadro 2).

 

Quadro 2: Nº de impactos em função da finalidade pretendida

 

Número de gotas por cm²

Tipo de intervenção

20 a 30

Insecticida sistémico

30 a 40

Insecticida contato ou ingestão

20 a 30

Herbicida pré-emergente

30 a 40

Herbicida pós-emergente sistémico

30 a 40

Herbicida pós-emergente penetrante

50 a 70

Herbicida de contato

50 a 70

Herbicida de ação foliar e radicular

30 a 40

Fungicida sistémico

50 a 70

Fungicida de contato

 

Assim sendo, em aplicações em superfície total, os volumes de calda podem variar de escassos 80 l/ha para o glifosato, até 200 l/ha para os fungicidas sistémicos. Sempre que o volume de calda a aplicar for superior ao necessário (nº impactos necessário), o alvo não consegue reter as gotas depositadas e a calda escorre para o solo.  A quantidade de matéria ativa que se destinaria ao alvo é assim menor e surgem fenómenos de perda de eficácia e resistências.

Quando o alvo é o próprio solo, em aplicações de herbicidas pré-emergentes, em que se torna necessário uma boa repartição da calda sobre a superfície (criação de película), o volume de calda poderá neste caso atingir os 400 l/ha.

 

Como escolher os bicos e calcular o débito?


As aplicações em superfície total fazem-se recorrendo a uma barra de pulverização, vulgarmente chamada de “deservagem”, onde se encontram alojadas as pontas de pulverização (bicos), as quais transformam o fluxo de calda num leque normalmente de jacto plano. O débito por minuto destas pontas de pulverização é variável em função da pressão utilizada e do caudal das mesmas.

Para calcular o débito de uma aplicação por hectare, é necessário conhecer o débito das pontas de pulverização e a velocidade de avanço do trator.

 

Fórmula de cálculo do débito de calda por hectare


l/ha = (60.000 x l/min (P)) / (km/h x E)


Legenda:

  • l/min (P) = débito por minuto de cada ponta de pulverização
  • km/h = velocidade de avanço
  • E = espaçamento (expresso em cm - normalmente é de 50cm) entre pontas de pulverização (bicos).

 

As pontas de pulverização de jacto plano (“bicos”) desempenham um papel primordial no sucesso de uma aplicação. Devem encontrar-se em perfeito estado de conservação, sem obstruções, e o diferencial de débito das mesmas não deverá exceder os 10%.  A norma europeia obriga os fabricantes a não excederem um diferencial de débito superior a 5%.

A duração dos bicos difere em função do tipo de formulação dos produtos utilizados e do material com o qual é fabricada a fenda de saída. As que menos durabilidade têm são as de aço, depois seguem-se as de plástico e, finalmente, as de cerâmica são as mais resistentes.

Para a sua limpeza não podem ser utilizados quaisquer materiais pontiagudos ou cortantes. Na ausência de uma escova própria, uma vulgar escova de dentes é indicada para limpar as pontas de pulverização.

A grande maioria dos fabricantes recomenda uma pressão de trabalho que varia entre 1,5 Bar e 4,5 Bar. As pressões mais elevadas destinam-se a pontas de pul-verização anti-deriva com indução de ar.

Os débitos das pontas de pulverização são determinados em função do débito por minuto a uma pressão constante. As pontas de pulverização estão repartidas por cores em função do seu débito.  A normalização destes códigos de cor obedece a duas normas internacionais: ISO e CE (europeias), pelo que duas pontas de pulverização de cor vermelha não terão o mesmo débito, caso uma obedeça às normas ISO e a outra às normas europeias. Para tal, é indispensável a consulta dos catálogos dos diferentes fabricantes, para nos assegurarmos do débito correspondente.

 

  • Uma pulverização eficaz deve ser transparente, muito uniforme e quase invisível à primeira vista. Quando se torna muito evidente que uma pulverização está a acontecer, normalmente essa visibilidade está associada à presença de deriva e/ou escorrimento. Estes dois fatores são responsáveis por uma maior ou menor perda de eficácia da aplicação:
  • Pressões demasiado elevadas levam à formação de gotas de diâmetro demasiado pequeno (< 100 micron), que são facilmente arrastadas pelo vento. Muitas vezes não atingem o alvo, podendo atingir culturas vizinhas. Com tempo quente e seco perderem-se por evaporação;
  • Pontas de elevado débito, normalmente utilizadas com pressões demasiado baixas, ou pontas anti-deriva, conduzem normalmente à formação de gotas de elevado diâmetro (> 400 micron), as quais são propensas ao escorrimento, “desviando” a aplicação do alvo para o solo, onde a eficácia é nula e o risco ambiental é maior!

 

Adjuvante LI 700 reduz perdas


A lecitina de soja constitui a matéria ativa do Adjuvante LI 700, que uma vez adicionado às caldas permite recalibrar o diâmetro das gotas entre os 100 e os 400 micron, reduzindo as perdas por deriva ou escorrimento. Além disso, o LI 700 acidifica o meio, evitando a hidrólise alcalina, é um eficaz agente penetrante e detém igualmente caraterísticas de molhante (amplia a gota até seis vezes após esta atingir o alvo).

São muitos os casos em que o aplicador erradamente aumenta a pressão de trabalho para garantir a molhabilidade de alvos que se encontram “protegidos por efeito guarda-chuva”. Hoje em dia é totalmente injustificável trabalhar com pressões que não obedeçam às recomendações dos fabricantes de pontas de pulverização. Os construtores de pulverizadores já colocaram no mercado barras de pulverização com manga-de-ar que permite levar a calda mesmo a um alvo mais protegido. Existe ainda a possibilidade de colocar na barra de pulverização pontas de jato duplo com ângulo de 30°, que permitem contornar o efeito guarda-chuva.

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